Nome: A corrosão do Caráter
Autor: Richard Sennett
Editora: Record
Ano: 2011
Ed°: 16°
N° de páginas: 176
Como sou estudante de
Turismo e Ciências Sociais e apaixonada por tudo que envolva Filosofia,
Sociologia, Literatura e afins sempre estou lendo livros que tenham essas
ciências nos textos e livros que leio.
Achei esse livro sem
querer na biblioteca da UFMA. Eu estava à procura de outro livro do mesmo autor
– O Artificie – e gostei do que estava escrito na orelha do livro sobre o
enredo da obra e do autor. O livro trata sobre as consequências pessoais do
trabalho no novo capitalismo.
Richard começa falando as
mudanças nas relações humanas, onde as pessoas tendem hoje a serem vistas como
objetos em venda e constante troca, consequentemente como produtos podem ser
descartados a qualquer momento sem aviso prévio. Os relacionamentos humanos
tornaram-se cada vez mais frágeis e ausentes de elos profundos e substanciais
para as pessoas. O sistema capitalista não só modificou todo o cenário
econômico do planeta, mas mudou todo o contato humano e a vida social.
O livro se baseia em
entrevistas que o autor fez na década de 90 – onde surgira o Novo Capitalismo –
com executivos demitidos da IBM em Nova York, funcionários de uma padaria
ultramoderna em Boston e muito outros, Sennett estuda os efeitos desorientados
do novo capitalismo.
Durante toda a leitura do
livro, Richard faz um elo sobre o passado das indústrias e empresas antes da
Revolução Industrial e as atuais estruturas modernas industriais e
empresariais. O foco mudou visivelmente. Há um pouco mais de um século as
empresas possuíam estruturas com hierarquias fixas e sem mudanças bruscas como
as atuais, nas quais os funcionários têm um movimento livre entre os diversos
setores de uma mesma empresa.
“ O ingrediente de mais forte sabor nesse novo processo produtivo é a
disposição de deixar que as mutantes demandas do mundo externo determinem a
estrutura interna das instituições. ”
A lealdade e a fidelidade
eram traços no caráter dos antigos funcionários das empresas do século XX.
Carregava-se um “amor” ao trabalho. As pessoas viviam toda sua carreira
profissional em um só lugar. Em uma só empresa. Longevidade no emprego
significava sucesso profissional e status
social.
No século XXI isso tornou-se obsoleto e inverso. As hierarquias
foram derrubadas e as pessoas ganharam liberdade para trabalharem onde quiserem
e por quanto tempo se sentirem bem naquele local. Entretanto, o autor nos
lembra que essa liberdade gera um sentimento de não pertencimento. Nasce nessa
relação problemas que aparentam ser superficiais, mas são mais profundos que as
raízes de uma mangueira.
As relações humanas
tornaram um Mercado, onde apenas os funcionais podem ficar. Qualquer empresa
pode demitir seus funcionários sem avisar e argumentar que a culpa foi do Mercado e outros fatores. As relações
tornam-se temporárias e sem profundezas. As pessoas tornam-se vulneráveis ao
movimento econômico e sentem-se sem “ um lugar seu”. Não sabem para que servem.
Perdem-se no meio dessa flexibilidade que o Capitalismo lhe oferece. São mais
controladas em seus trabalhos em casa do que seus colegas que estão no local de
trabalho. Melhora-se o trabalho, mas não as relações pessoais.
“ E quando comerciantes admitem necessidade mútua, observou Montesquieu
um século depois, “o comércio... lustra e suaviza modos bárbaros. ”
O jogo capitalista dar
vitória aos que possuem Poder Aquisitivo e podem “flutuar” por esses dilemas.
Não são abalados pelas crises existenciais, porque não possuem “casas” fixas.
Sentem-se bem em qualquer lugar. Podem modificar a realidade de muitos e os que
não são detentores desse poder “mágico” são obrigados a viverem com problemas
existenciais e viverem à mercê do mercado.
“
[...] apesar de seus vários resultados, a mobilidade empresarial descendente
gera uma condição limiar flutuante, ambígua. ”
Sennett também fala que
hoje as pessoas trocam de profissão não por vontade in priori, mas por força do mercado. Ocupam um trabalho devido as
forças econômicas e não por prazer. Não se sentem obrigados a carregarem uma
paixão pelo local onde trabalham. Não são apaixonados pelo seu trabalho. Apenas
querem está ali enquanto lhe renderem dinheiro. Não há elo entre os
funcionários. Nisso Marx errou. As categorias se fragmentaram. Não há
necessidade de ligação com os demais.
“Mas sei que um regime que não oferece aos seres humanos motivos para
ligarem uns para os outros não pode preservar sua legitimidade



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