Nome:
Um
amor cem intenções
Autora:
Li
Mendes
Ano:
2012
N°
de páginas: 72
Conheci a autora faz
pouco tempo. Estava visitando outros blogs e vi uma resenha sobre um livro dela
e gostei da sinopse. Busquei informações sobre ele e descobri que é brasileira
e carioca. Jornalista e publicitária por formação e escritora por diversão e
profissão. Casada com um homem que trabalha no Exército Brasileiro. Ama
escrever e o que mais me atraiu...viveu um namoro à distância por dois anos –
seu atual marido – e para quem não sabe também namoro à distância.
O livro me atraiu pelo
título: Um amor cem intenções. Bem
convidativo. O amor tem mil intenções. Todas encobertas e descobertas com a
retirada fina que envolve esse conflitante sentimento.
A obra é formada por opiniões
pessoais da autora e de informações sobre o capitalismo e a globalização
misturado com contos da autora. Uma mistura bem divertida e questionadora. O
Amor não tem forma. Ele só assume forma no olhar de quem amamos. Só o
conhecemos quando amamos.
“Ser
de todo mundo e não ser de ninguém. ” Lendo percebemos que as
pessoas parecem ter medo de amar. Sabem a importância que o amor tem em suas vidas,
mas fogem da responsabilidade que isso traz. Querem rapidez e pouco
envolvimento. Querem facilidades em seus relacionamentos. Não querem se machucar.
Evitam se ferir. Enfim, parecem criar uma romantização do Amor que é ilusória,
enganadora e perigosa.
Com o sofrimento e as
frustrações geradas por relacionamentos ruins ou que acabaram, crescemos. Evoluímos.
Deixamos de ser ingênuos em determinados assuntos. Nos tornamos mais prudentes
e seletivos, mas nunca devemos nos fechar para outros amores, pois com a autora
fala: “[...]o melhor remédio para esquecer um amor que te fez sofrer é amar
outra vez. ”
Tantas vezes somos
sucumbidos pela paixão e não percebemos – ou melhor, sabemos – que o atual relacionamento
não é gratificante e só trará dores e continuamos com ele. Preferimos a
acomodação do que a mudança. “O mais
importante é começar a refletir no lado prático da vida, pois estar com alguém
com quem você não tenha a menor perspectiva futura pode fazer crescer uma raiz
dolorosa de se extrair quando o fim vier à tona. ”
No decorrer do livro fui mais apaixonada pela
leveza e a profundidade do livro. Li Mendi entrou para a lista de escritores
favoritos meus. Estou lendo muitos livros de sociologia que trabalham sob a
ótica das relações humanas e sua fragilidade atual e as palavras de Li, principalmente
quando cita o sociólogo Zygmunt Bauman –
que admiro demais – percebi que tinha muito em comum com essa autora.
“Amamos
os quadros que penduramos no nosso coração. ” A autora lembra
que amamos fantasias e não a realidade. Criamos seres que não são reais.
Criamos objetos amados que são diferentes das pessoas que amamos. Nos apegamos
com a ilusão.
“No
amor, nem sempre fazer o certo é ser feliz. Estar com aquela pessoa que todos
consideram ideal e não cometer a loucura de correr atrás daquela que
verdadeiramente amamos é um risco de chegar aos 85 e perceber que não dá mais
tempo. Já se foi a vida. ”
O amor é loucura. A linha
da sanidade e da loucura parece desparecer quando estamos apaixonados.
Esquecemos os outros e caminhamos apenas com a coragem que o sentimento nos dar.
Ultrapassamos preconceitos e negamos parar diante de conselhos e exemplos de
outras pessoas. Fazemos aqui nossas escolhas. Escrevemos nossas histórias.
Caminhamos juntamente com quem amamos.
O amor nos muda. Queremos
o outro. “Quando o homem está com a
namorada geralmente fica calmo e não faz besteiras. Quando está com os amigos
acaba bebendo e entrando em furadas. ”
No Amor descobrimos a
diferença entre desejar e necessitar. Necessitamos do que é essencial e
desejemos o que é efêmero.
Aprendemos vivendo. Sem
restrições. A atual sociedade nos deu a liberdade de viver diversos amores.
Aprender com eles. Gera experiências diferentes. Não parar de amar, só porque
alguém nos feriu. Errar é da nossa natureza. Somos humanos. Não há certo ou
errado. Errado é não viver.
O amor cem intenções, conquistou
– me profundamente. Falou diretamente ao meu coração e colocou
minha mente em questionamento. Acho que por encontrar alguém que compartilhe de
parte da minha visão sobre o Amor e a vivência do amor à distância, deparei-me
com uma amiga sem conhece-la. Apaixonei-me por suas palavras. Enfim...uma
confidente em suas obras.





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