[Resenha] Quem era ela - JP. Delaney

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Título: Quem era ela
Autor: JP. Delaney
Editora: Intríseca
Ano:2017
N° de Páginas: 336
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Sinopse:
É preciso responder a uma série de perguntas, passar por um criterioso processo de seleção e se comprometer a seguir inúmeras regras para morar no nº 1 da Folgate Street, uma casa linda e minimalista, obra-prima da arquitetura em Londres. Mas há um preço a se pagar para viver no lugar perfeito. Mesmo em condições tão peculiares, a casa atrai inúmeros interessados, entre eles Jane, uma mulher que, depois de uma terrível perda, busca um ponto de recomeço.
Jane é incapaz de resistir aos encantos da casa, mas pouco depois de se mudar descobre a morte trágica da inquilina anterior. Há muitos segredos por trás daquelas paredes claras e imaculadas. Com tantas regras a cumprir, tantos fatos estranhos acontecendo ao seu redor e uma sensação constante de estar sendo observada, o que parecia um ambiente tranquilo na verdade se mostra ameaçador.
Enquanto tenta descobrir quem era aquela mulher que habitou o mesmo espaço que o seu, Jane vê sua vida se entrelaçar à da outra garota e sente que precisa se apressar para descobrir a verdade ou corre o risco de ter o mesmo destino. Com um suspense de tirar o fôlego e um clima de tensão do início ao fim, JP Delaney constrói um thriller brilhante repleto de reviravoltas até a última página. Uma história de duplicidade, morte e mentiras.

Quem era ela é uma obra que desmitifica a concepção que podemos descobrir toda a verdade sobre as pessoas mesmo as conhecendo há anos.

"A quietude e a aparência. Nada de muito ruim poderia acontecer com você ali."

Emma é uma jovem de vinte e poucos anos bonita, empregada nas relações públicas de uma empresa de água e tem um namorado que a adora. Ela sempre achou que tudo seria perfeito em sua vida até que sofrera um assalto no apartamento de Simon e o trauma a mostrou que não garantia de segurança em qualquer lugar, então decide que precisa de um lugar com extrema segurança e na qual possa recomeçar.

Simon é um homem que trabalha com tecnologia. Ele é gentil, amável e apaixonado por Emma e por isso quando é informado que a mesma quer se mudar, acaba aceitando tudo para agradá-la e talvez possa avançar em seu relacionamento.

Eles saem a procura de um apartamento ou casa que caiba em seus orçamento, porém nada é barato na famosa Londres. Eles já estão desistindo quando o corretor lhes informar que há um lugar maravilhoso que pode agradá-lo. Eles ficam entusiasmados porque o lugar é deslumbrante. Minimamente bem arquitetado e construído para pessoas que sabem o que é essencial para suas vidas, porém há um problema com o imóvel: o proprietário e arquitetado do lugar impõe diversas regras para os inquilinos. Desde não trazer móveis para lugar até não ter nenhum objeto além dos que já estão na casa e além dessas "pequenas exigências" existe a aceitação ou não dos possíveis serem aceitos pelo mesmo.

Emma é aceita por Edward Monkford e se muda com Simon para o lugar. Tudo parecia muito bem para ela. Sentia que estava se realizando até a casa - ou ela mesma - começar a modificar suas expectativas até começa a questionar se Simon seria o homem de sua vida. Parece que Edward fez aquela casa para trazer a tona todos os anseios mais escondidos das pessoas. Ela então embarca numa mudança extrema que "manda tudo para os ares", o que resulta na sua morte. 
Será que a morte fora suicídio? Assassinato? Será que a casa tinha realmente algo relacionado a tudo que acontecera a ela? E por que Simon odiava tanto o lugar e sabia que Emma o deixaria? E quais seriam realmente os objetivos que Edward construira uma casa tão "anormal"?

Você acha que tudo isso é o enredo né? Infelizmente - ou felizmente - essa é uma parte da história. Um ano se passa e uma nova inquilina é instalada na Folgate Street n°01. Jane é uma mulher ganhava bastante dinheiro numa empresa e engravidara sem querer de um pequeno caso, só que a vida sendo cruel retirou sua linda Isabel de sua vida. A bebê nascera morta e a partir desde momento ela vivera num luto constante.

Ela muda de emprego e dedica-se a ajudar mulheres que sofreram a mesma perda que ela e como sua renda diminuira consideravelmente, opta por um novo lugar e o "território"do lindo, bem sucedido e perfeccionista Edward Monkford e pareceu perfeito e sentira uma conexão com o arquiteto no dia da entrevista, entretanto ela descobre que a inquilina anterior morrera ali e começa a investigar e assim descobre que as coisas nem sempre são o que aparentam ser.

"[...]um padrão em que alguém encena diversas vezes o mesmo psicodrama sexual, com gente diferente ocupando os mesmos papéis imutáveis."

Não pense que está diante de qualquer thriller. O autor - que escreve com um pseudônimo - fora um maestro de experiência em seus três desfechos nesse enredo. No início começamos conectando as características dos personagens aos seus atos e assim deduzindo que estão agindo conforme o "figurino", porém nada é convencional nessa trama.

Emma Matthews é uma personagem bem intrigante, pois no começo ela é a vítima de um assalto que nos comove com seus pesadelos do dia da invasão e que deu início as sucessivas mudanças em sua vida. Após isso temos um desmanche avassalador de sua personalidade. Ela mostra-se dissimulada e narcisista e não num tom aceitável. Ela é arrogante e volúvel. É como um vulcão aparentemente dormindo, mas por dentro é pura combustão.
"Duas pessoas problemáticas não se completam. O que você precisa agora é de alguém bom e íntegro. Alguém que cuide de você."

Simon é um trouxa. Não há meio termo aqui. Ele é usado e abusado por Emma. Ela sabe que ele é vulnerável e se aproveita descaradamente dele. Ele é obcecado por ela. Ele se assemelha com alguns traços da personalidade 01 de Joe na série You, porque ele é capaz de fazer TUDO pela mulher que ama e isso é perigoso, porque todo amor sem freios acaba se tornando um catalisador para a desgraça e perda de rumo, caso a pessoa idolatrada saia da vida dela e isso ocorre.

Edward é um homem de força e onipresença. Ele não é humilde em qualquer comentário e modéstia é uma palavra sem significado em seu vocabulário. Ele nos encanta com sua capacidade de criar arquiteturas inconcebíveis no mundo real, porém não existe limites para sua obsessão em perfeição e é aqui  e vemos sua insanidade e o medo é despertado.
"Edward se inspira em mosteiros e comunidades religiosas, mas esquece que as mulheres foram excluídas desses lugares por algum motivo."

Senti várias vezes medo pelos inquilinos da Folgate Street, porque o lugar era pra lá de estranho e carregava uma pequena lista de mortes. A esposa e o filho de Edward morreram na casa num acidente com um caminhão e depois vem Emma. Quando Jane surge e diz  que não liga para a parte sombria daquele lugar tive vontade de bater nela. Todos sabemos que lugares com históricos assim só trazem coisas ruins, entretanto ela é teimosa.
Além da ótima construção narrativa do autor que mescla entre Jane (Atual) e Emma( Antes), ele traz diversas temáticas a serem bem trabalhadas durante a evolução da história, como o aborto que é legalizado na Inglaterra - e tem suas regras - , patologias como a Síndrome de Down, natimortos na vida feminina, a própria concepção dos afazeres e da postura feminina na sociedade atual e o tema centra que são as máscaras e a dissimulação que orquestra toda essa obra.
"E, na verdade, todos nós estamos buscando isso, não é mesmo? Alguém que cuide da bagunça que há dentro da nossa cabeça."

Você já conviveu com pessoas que mostravam ser adoráveis e um tempo depois revelam sua real identidade odiosa e tenebrosa? Já fora usado sem qualquer resquício de arrependimento por alguém? Já fora obcecado por algo que tornou sua vida uma sucessiva repetições do mesmo drama?
Se sua resposta é sim para qualquer pergunta acima, então Quem era ela é recomendado para você. E se não tivera nenhuma positiva para as indagações citadas anteriormente, por favor, leia, porque o suspense vale a pena e quero ver se consegue prever o final sem errar claramente.

Nota para a obra:



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