[Resenha] Desaparecido Para Sempre - Harlan Coben

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Título: Desaparecido Para Sempre
Autor: Harlan Coben
Editora: Arqueiro
Ano: 2012
N°de páginas: 304


Resenha:
No leito de morte, a mãe de Will Klein lhe faz uma revelação: seu irmão mais velho, Ken, desaparecido há 11 anos e acusado do assassinato de sua vizinha Julie Miller, estaria vivo. Embora a polícia o considere um fugitivo, a família sempre acreditou em sua inocência. Ainda aturdido por essa descoberta e tentando entender o que realmente aconteceu com seu irmão, Will se depara com outro mistério: Sheila, seu grande amor, some de repente, e o FBI suspeita do envolvimento dela no assassinato de dois homens. Apesar de estarem juntos há quase um ano, Sheila nunca revelou muito sobre o seu passado.


No fim, a mais desagradável das verdades é preferível à mais bela mentira. ”


O que posso dizer sobre os livros de Harlan Coben? Perfeitos! Melhor palavra para defini-los. Coben sempre me surpreendente e melhor ainda sempre faz revelações bombásticas nas duas últimas páginas das suas histórias. É de tirar o folego!

Há uma ligação interessante entre a dor autoinfligida e o consolo, uma espécie de desejo de brincar com fogo relacionado ao sofrimento. ”

Desaparecido Para Sempre conta a história de Will Klein que é um homem de quase 30 anos que vive a sombra do passado obscuro da Família Klein. Seu irmão Ken é o principal suspeito do assassinato de sua ex namorada, Julie Miller. Na época Ken teria um pouco mais de 23 anos e fora a última pessoa que esteve com Julie e as evidências apontam que ele cometera esse crime cruel. A Família Klein não acredita nisso. Tem certeza que Ken é inocente, mas não sabe onde ele está. Ken fugira após o crime e já se passaram 11 anos e nenhum sinal dele.

A mãe de Will está com câncer em fase terminal. Sunny conta em seu leito de morte que seu filho Ken está vivo e que provará que é inocente. Will fica abalado com essa revelação. Não sabe nada sobre seu irmão desde o crime. Sempre achará que Ken estava morto. Estava enganado. A dor volta ao seu coração. Será que seu irmão estava tendo um caso com sua ex-namorada que na época era a mulher que Will mais amava? Será que Ken teria mesmo matado Julie? Se sim, por quê? A Família Klein sabia que Ken era agressivo e estava envolvido com pessoas erradas na época, mas nada que indique que Ken podia virar um monstro.

Você tenta dividir a dor em intervalos de tempos controláveis.  Também não adianta. Por fim, você encontra a única saída viável: abandonar a sanidade. ”

Após a morte de sua mãe, Will começa uma busca implacável pela verdade sobre seu irmão e o assassinato de sua ex-namorada. Se não bastasse o peso de uma grande revelação e o passado que relutava em deixar Will em paz, a atual namorada de Will, Sheila Rogers, desaparece sem deixar qualquer rastro. Apenas um bilhete: “ Te amarei para sempre. ” Somente esse bilhete foi deixado para Will. Ele está sozinho. Sua amada o abandonara. Ele não sabia nada do passado dela. O passado incomodava Sheila. Será que ela fora envolvida em alguma coisa criminosa no passado? Será que alguém dera um fim em Sheila? Por que tanto medo do passado? Will percebera que não sabia nada sobre as pessoas que amava. A verdade nunca fora revelada a ele. Será que conhecemos de verdade quem nós amamos?

O suspense e o terror andam lado a lado nessa nova empreitada de Coben. Conhecemos John Asselta que era amigo de Ken e Julie no passado. Atualmente ele é um dos assassinos mais procurados dos EUA. Mata de forma impetuosa e não deixa rastro de seu trabalho. Sua presença lembra o cheiro fatal da Morte. Sua aparência até lembra a Dama de Vermelho. Sua chegada indica que o fim de alguém está próximo e não há chance de erros. Fantasma é seu apelido. Era amigo de Julie e retornara para os EUA para um acerto de contas. A pergunta é: Acerto de contas com quem? Por que agora? Por que estava trabalhando com Philip McGuane? McGuane também fora amigo de Ken e Asselta no passado. Será que os três estavam envolvidos na morte de Julie? E com o sumiço de Sheila?

Às vezes encontramos pessoas cuja bondade inata nos atinge como um raio de luz quase ofuscante. Mas outras vezes deparamos exatamente com oposto – alguém cuja mera presença nos asfixia, nos encobre com uma pesada nuvem de putrefação e de sangue. ”

A narrativa deixa os leitores envolvidos e absorvidos pelos acontecimentos. Teorias vão sendo feitas e refeitas quando fatos vão sendo revelados. Os personagens vão soltando pistas e frases de efeito são as chaves desse imenso quebra-cabeça.

Nessa caçada pela verdade, Will tem a companhia de seu amigo Squares, que é um apoiador da Doutrina de Hitler. Ele tem uma tatuagem em sua testa que lembra seu passado. A ironia do destino é que atualmente é namorado de uma modelo negra que está grávida dele, mas Squares não tem certeza que quer essa criança. Ele esconde mais coisas do seu passado. Outra pessoa que ajuda Will na procura por seu irmão, é Katy Miller, a irmã mais nova de Julie. Ela quer se libertar da sombra da morte de sua irmã e anseia libertar seus pais desse passado doloroso em sua casa.

Quando se encurrala alguém, até mesmo um homem fraco como eu, o animal sempre emerge. ”

Will parece um pateta em algumas partes do livro, porque não percebeu muitas verdades que estavam à sua frente ou simplesmente fechou seus olhos para a verdade dolorosa. Ele é inseguro sobre tudo e tinha um medo descomunal do futuro. Tinha medo de descobrir sobre Sheila e o que ela tinha feito no passado. Ele vivia como se tudo que soubesse fosse uma mentira saborosa, mas que a qualquer momento a verdade cruel e fria seria apresentada a ele.

O detetive Pistillo que é o responsável pelo caso de Ken e pelo sumiço de Sheila, está na cola de Will. Ele quer saber onde está Ken e já avisou a Will para ele parar de intrometer onde não foi chamado e pediu para que ele deixe Katy fora disso. Por que Pistilo quer Will fora disso? Por que dificulta que a verdade seja revelada? Será que ele esconde algo dele? Por que ele não conta a verdade sobre Sheila? Por que ele quer tanto Ken?

Não sei por quanto tempo chorei. Depois de algum tempo, me forcei a parar. Foi quando decidi que tinha que enfrentar a dor. A dor imobiliza. A raiva, não. E a raiva estava ali também, à espreita, à espera de uma abertura.
Deixei-a entrar. ”

Sheila é encontrada morta em outro estado e isso acaba com Will. Ele não tinha mais quem amava e o mais estranho: a segunda vez que a mulher que ele ama é assassinada. Destino? Castigo? Mera coincidência? Will fica arrasado, porém está determinado em descobrir a verdade sobre seu irmão e também sobre Sheila. Quem realmente seria Sheila Rogers? Por que ele sentia que algo não se encaixava nesse mistério?

Desaparecido Para Sempre é uma narrativa eletrizante e chocante. Os crimes cometidos no livro são dignos de filmes de terror. Cruéis e sem piedade. Tortura vistas nos campos nazistas. Pessoas que parecem mais monstros sem sentimentos que matam por puro prazer e diversão. Fantasma e McGuane são os reis dessa filosofia. E Ken? E Sheila? Onde se encaixam nisso tudo? Coben lhe revelará a verdade e ainda lhe chocará com a verdade que não enxergamos, porque estamos focados no assassinato de Julie Miller que a peça-chave de algo muito maior.

Não posso esquecer claro, Harlan ressalta nessa obra o surgimento de nossos demônios que nos perseguem todos os dias. Medos e angústias constantemente nos levam à loucura e podemos sucumbir a monstruosidade e acabamos como sanguinários e criminosos sem escrúpulos. Não há um limite entre o Bem e o Mal e nem se esses conceitos sejam reais para a humanidade. Não há mocinhos e vilões. Somos os dois. O que diferencia um do outro são nossas ações. Um dia somos bons e no outro, maus.

“Era pura megalomania pensar que nós, humanos, estamos de alguma forma acima da morte, que nós, ao contrário de qualquer outra criatura, temos a habilidade de transcende-la. ”


Coben utiliza lares destruídos, crianças abandonadas nas ruas para falar sobre um ponto negligenciado pela sociedade: A Loucura. O que é Loucura? O que faz de nós loucos? Será que a loucura é apenas patológica? Por que abandonamos os outros a própria sorte? Por que gostamos de separar as pessoas entre mocinhos e bandidos? Por que nos fazemos de juízes? Será que somos capazes de nos conhecemos em totalidade?


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